quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Felizmente estão mudando de assunto

Sobre toda esta polêmica religiosa no segundo turno, que, felizmente, começa a perder terreno, algumas coisas ficam nítidas. A primeira é a saudade que a figura da atriz Regina Duarte desperta. A imagem dela temerosa com a vitória de Lula em 2002 nos remete a um tempo em que a propaganda de José Serra não era tão reacionária, em que não havia a "reinaldazevedização" do seu discurso. Nada contra Reinaldo Azevedo em si ou suas idéias, algumas das quais compartilho: a questão é o método, o radicalismo, a destruição, e não o combate, ao adversário.
A segunda certeza é a da estreiteza da candidatura de Dilma Rousseff. Suas tentativas de parecer o que não é são evidentemente patéticas. Durante toda a campanha a petista desprezou o pensamento e o debate com as Igrejas. Deixou de ir a dois encontros de religiosos com os candidatos. Privilegiou o anticlericalismo feminista ao se manifestar sobre o aborto no tempo em que interessava a ela jogar para o público interno.
Dilma parece ter percebido que aborto não é uma questão de saúde pública-ou pelo menos não se resume a isso. É um tema também que toca o próprio conceito de mundo das pessoas, inclusive o que se entende por concepção de vida e limites para a liberdade individual. Exatamente por isso nunca deveria ser tema de uma campanha presidencial. O local para esta discussão só pode ser um: o Congresso Nacional. E, de preferência, com decisão seguida por referendo popular.

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