São raros, mas por um motivo ou outro alguns políticos ganham aura de santidade. No Senado, houve Suplicy e Pedro Simon. Em um passado um pouco distante, Teotonio Vilella. No último ano e meio, muito em função da doença que enfrenta, o vice-presidente José Alencar.
Talvez tenha sido a reverência que Alencar desperta que faz a mídia poupar-se de comentários ante a sua linha de defesa no processo de paternidade a que responde. O vice-presidente disse, em entrevista a TV, que não pretende fazer teste de DNA. Afirmou que a antiga parceira de cama era uma mulher da zona. E que, como moça pobre, não poderia estar presente nos bailes que ele frequentava em Caratinga nos anos 50.
Espíritos mais delicados, ou moralistas, poderiam dizer que fugir às responsabilidades do sexo alegando que a parceira se prostituiu seria um ato digno de um cafajeste. Não vi a entrevista do vice-presidente no programa do Jô, mas pelos relatos que li ele não parece ter sido especialmente questionado sobre este ponto.
Esta história toda poderá ter um lado positivo se fizer o vice-presidente ser tratado pelo que é: um homem comum, ainda que poderoso. Alencar se diz processado por ser muito rico e pessoa pública, o que é verdade. É razoável pensar que a senhora que o aciona não o faria se Alencar fosse um lavrador aposentado. Como também não há sentido, ou pelo menos não deveria haver, em achar que dinheiro, celebridade e poder garantam indulgências plenárias.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
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Até tu, Alencar?
ResponderExcluirEle pode até ter essa aura de santo, mas é machista como tantos outros e tenta desqualificar a mulher para justificar seus erros. É o mesmo que a defesa do Bruno tenta fazer.