terça-feira, 8 de junho de 2010

Rumo a 1902!

Como entender o PT mineiro? O que tinha em mente o ex-prefeito Fernando Pimentel e seus aliados quando radicalizaram na tese da candidatura própria no último fim de semana, apenas para figurarem publicamente, na condição de derrotados, no dia seguinte em Brasília?
O acordo para apoiar Hélio Costa estava decidido desde fevereiro, quando o PT nacional avocou para si a última palavra sobre as alianças. Lula decidiu este ano reavivar a política dos coronéis, a grande novidade na sucessão brasileira de 1902.
Funcionou assim: o então presidente Campos Salles exigiu dos governadores apoio incondicional ao seu escolhido para a sucessão, Rodrigues Alves. Em troca, dava carta branca para os caciques regionais pintarem e bordarem em seus Estados. O soba alagoano, ou baiano, goiano, ou paranaense, replicava isso com os chefetes municipais.
O coronelismo ganhava então o encadeamento perfeito: Nhô Fulano mandava seus agregados obedecerem ao prefeito, o coronel Sicrano, que batia continência para o governador Beltrano, que exaltava em glória o presidente. E a onda voltava: o palácio do Catete fechava os olhos aos desmandos da província e assim por diante.
Lula agora fez uma reedição modernizada e atenuada desta prática: recebe o apoio de Sarney, Hélio Costa, Sérgio Cabral, Iris Rezende e outros vultos do PMDB, e em troca os apóia. Taí. Desta vez ele não pode dizer o seu famoso "nunca na história deste País".

Um comentário:

  1. O Notas Imperfeitas mais uma vez apresentando opinião conisistente e fundamentada sobre a política brasileira.

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