Em tempo de debates sobre o culto à personalidade que o filme “Lula-o filho do Brasil”, de Fabio Barreto pode desencadear, será oportuno compará-lo com o olhar britânico de Richard Bourne, jornalista e pesquisador da Universidade de Londres, sobre o mesmo personagem. Enquanto o filme de Barreto-gravemente acidentado na noite de sábado-encerra no momento em que o presidente ingressa na arena pública, o livro de Bourne, “Lula of Brazil-The story so far”, ou “Lula- a história até agora”, editado pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, busca unir o ontem e o hoje, o filho de dona Lindu com o presidente comensal de banqueiros e donos de usinas, o retirante nordestino com o protagonista em conferências internacionais de chefes de Estado.
A obra será lançada no Brasil nos próximos dias , pela Geração Editorial e trata da biografia do presidente e de todo seu primeiro mandato. O escândalo do mensalão é objeto de dois capítulos. A política social do governo, de um. Afora quatro erros factuais graves ( Lula não se candidatou a um segundo mandato como deputado em 1990, o vice-presidente José Alencar não é evangélico, Fortaleza não é a capital do Maranhão e Zélia Cardoso de Mello não nasceu em Alagoas), o livro é minucioso ao descrever os limites da transformação que Lula proporcionou no País.
O mensalão é descrito como uma capitulação do PT aos esquemas tradicionais de se fazer política no Brasil. E o saldo administrativo mostra a atenuação de problemas crônicas, e não sua correção. “ O grande problema é que o governo Lula não conduziu uma campanha total contra a desigualdade social , a despeito do que o presidente dissera em batalhas eleitorais anteriores. Isto foi inviabilizado não apenas pelas políticas econômicas relativamente ortodoxas, mas também pela falta de vontade de desafiar os interesses daqueles que se beneficiam do status quo”, afirmou, em tradução livre, à página 131 do livro.
( coluna publicada no Valor em 20.12.2009)
quarta-feira, 10 de março de 2010
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