Esta coluna foi escrita em 25 de janeiro de 2008, há mais de dois anos. Como voltaram a falar do tema, resolvi postá-la.
"O plano B do DEM para a sucessão "
César Felício
Criatividade para lançar candidatos que lhes permitam entrar nas negociações eleitorais com algo nas mãos é algo que nunca faltou aos pefelistas, os atuais "democratas". Da imaginação de parte de seus dirigentes brotou a solução Silvio Santos para substituir Aureliano Chaves, na campanha de 1989, Antonio Carlos Magalhães em 1994, Roseana Sarney em 2002 e Cesar Maia em 2006. Em nenhum dos casos a candidatura se concretizou e para 2010 o partido já sinalizou aos tucanos que está disposto a abrir mão do lugar de vice em uma chapa. Nem por isso deixou de conceber um plano alternativo.
A aposta da vez para protagonista do enredo da candidatura própria é a senadora Kátia Abreu, uma rica viúva goiana que iniciou sua vida pública em Tocantins há menos de dez anos. Sua escolha para dar o parecer contra a emenda constitucional que prorrogava a cobrança da CPMF fez parte desta estratégia. Permitiu à senadora debutar na grande imprensa. Sua provável eleição este ano para a presidência da Confederação Nacional da Agricultura a insere na elite dos negociadores empresariais.
Pecuarista e sojicultora, Kátia Abreu transferiu formalmente suas propriedades aos filhos e mostra um articulado discurso conservador. Procura afastar-se da fracassada experiência de Ronaldo Caiado na eleição presidencial de 1989. Comandante da UDR, Caiado parou no grito o programa de reforma agrária do governo Sarney. Montado em um cavalo branco, lançou-se candidato à sua sucessão e declarou-se "a força que vem do interior". Teve 1% dos votos.
"A UDR teve seu papel importante na defesa do direito à propriedade. Quanto mais forte este direito, mais o país cresce. Mas agora há desafios diferentes. O foco político do partido é a busca da modernização nacional. A defesa da propriedade é exercida em outros foros", afirmou a senadora, ao comentar se não era um problema ter a defesa do direito à propriedade como bandeira em um país onde a maioria da população não possui coisa alguma.
Ideologicamente, a novidade "democrata" declara-se ultraliberal. "Acredito no talento das pessoas. O governo tem que ter o tamanho necessário: cuidar de Segurança, Saúde, Educação, Habitação e só. A iniciativa privada deve prevalecer no resto", disse. Ao ser lembrada que o termo "liberal" pode ter outro significado em questões de direito individual, como aborto e casamento de homossexuais, a senadora demarcou as fronteiras com clareza. "Sou extremamente liberal nas questões econômicas", frisou.
Kátia Abreu, o protótipo para testes em 2010
É na assertividade que Kátia Abreu empolga os estrategistas do DEM. "Ela é um personagem bem diferente da Roseana", comentou um dirigente partidário. Roseana subiu nas pesquisas entre 2001 e 2002 explorando nas inserções comerciais do partido o fato de ser mulher. Mas em termos políticos, sempre foi uma adepta da escola do pai: parece ter a indefinição ideológica como meta. Também anima os dirigentes do DEM outra peculiaridade: Kátia Abreu não pertence a uma oligarquia familiar, como costuma ocorrer com as mulheres que disputam eleições em partidos conservadores. Dos seus sete irmãos, nenhum está na política. A senadora entrou na cena eleitoral representando os interesses do empresariado rural.
Em preparação para desempenhar o papel de presidenciável, Kátia Abreu é uma hipótese mais paupável para a Vice-Presidência em uma composição com os tucanos. A discrição no trabalho partidário para burilar a senadora como um nome nacional foi rompida pelo prefeito do Rio, Cesar Maia, que a citou como opção presidencial em entrevista a Heloisa Magalhães e Ana Paula Grabois no Valor.
Acostumada a contar gado e sacas de soja, a senadora procura não se perder em abstrações: acha que, se der, concorre ao governo de Tocantins em 2010. "Fiquei muito feliz com a declaração do Cesar Maia, mas tem muita gente com prioridade para entrar nesta disputa. O que eu digo é que o partido quer ter candidatura própria", afirmou.
Contra os anseios do DEM, está o fato de o palanque televisivo ter se tornado mais modesto. Os partidos não podem mais usar os programas eleitorais nacionais e regionais na televisão com a flexibilidade que alavancou Roseana há seis anos. Em janeiro do ano passado, uma resolução do TSE podou em 20 minutos o espaço partidário na mídia eletrônico.
Da janela do adversário
A última rodada de pesquisas de intenção de voto presidenciável encomendada pelo DEM chamou a atenção dos dirigentes pelos oposicionistas pelo desempenho dos petistas. A sondagem mostra que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, já saiu do traço, embora ainda esteja distante, muito distante de Ciro Gomes (PSB) no campo governista. Já o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, obteve um percentual tão baixo que deixa evidente a sua fragilidade mesmo em Minas Gerais, seu domicílio eleitoral. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, não foi incluída no levantamento".
sábado, 13 de março de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário