Acabo de ler que a Polícia Federal teve que ser acionada para impedir que a Polícia Militar do cantins apreendesse a edição desta semana da revista Veja. Se isto de fato procede, é a primeira manobra de contenção da ofensiva do governador "Gaguim", esta sim, contra a liberdade de imprensa. Estive em Palmas em setembro do ano passado, logo que este exótico governador , então presidente da Assembleia Legislativa , inventou uma eleição indireta em que ele era o único candidato a substituir o antecessor, cassado por irregularidades no ano eleitoral. Estava em reportagem pelo Valor e o indíviduo não quis falar comigo e nem permitiu que ninguém de sua equipe falasse. Depois soube que seus assessores inventaram a ridícula versão de que eu estava a serviço da senadora Kátia Abreu.
O governador do Tocantins move ação judicial para impedir que a imprensa de lá e de fora apure o seu relacionamento empresarial com um tal de "Manduca", suspeito de tráfico de influência. É contra este tipo de figura que defensores da liberdade de expressão deveriam se erguer. Por que lá, sem dúvida alguma, a imprensa livre está ameaçada.
domingo, 26 de setembro de 2010
Vejam esta maravilha de cenário
Contando com esta, acompanhei relativamente de perto as últimas cinco eleições presidenciais, como profissional. Na de 1989 era estudante universitário e militava. A eleição deste ano vai se tornando única. Não me lembro de qualquer outra em que o presidente tenha entrado na batalha eleitoral como agora. Também não me lembro de nenhuma em que a oposição e a grande mídia tenham se identificado tanto a ponto de ser difícil discernir onde termina uma e começa a outra. Em um contexto despartidarizado, desideologizado como o atual, de tiriricas deputados,quando não da bandidagem em estado bruto disputando cadeiras no Senado,estamos ameaçados de ter apenas o presidente de um lado, com a candidata que tirou da cartola, e a mídia do outro, em volta de uma micro-oposição.
O preocupante deste cenário é que governo e oposição começam a tangenciar a fronteira entre a institucionalidade e a selvageria. Os textos editoriais da última onda semanal de denúncias parecem preparar o terreno para que a provável vitória de Dilma seja declarada ilegítima.
Como se dissessem: se ela ganhou alegadamente com a ajuda da quebra de sigilos constitucionais e após a montagem de uma máquina de caixa 2 na Casa Civil, por que então aceitar a legalidade de seu mandato? Do lado governista, falta pouco para Lula e outros petistas incitarem os militantes a lincharem os jornalistas. Ainda que seja ridícula qualquer comparação entre Lula e presidentes suspeitos de mandar matar oponentes, como Vladimir Putin, prender donos de televisão, como Hugo Chávez, ou acusar os barões de imprensa de extorsão e sequestro de bebês, como o casal Kirchner fez.
O que conforta é perceber que o gosto de sangue e pólvora está presente apenas nas bocas dos contendores diretos. Nos bares, nas ruas, nas filas para atendimento, nas praças, sobrevive-se nas escaramuças do cotidiano, muito distantes de qualquer noticiário, muito alheias às pretensamente grandes questões. Em meio à sedação do conformismo e ao pragmatismo absoluto, vamos seguindo o calendário e nos preparando para a outra.
O preocupante deste cenário é que governo e oposição começam a tangenciar a fronteira entre a institucionalidade e a selvageria. Os textos editoriais da última onda semanal de denúncias parecem preparar o terreno para que a provável vitória de Dilma seja declarada ilegítima.
Como se dissessem: se ela ganhou alegadamente com a ajuda da quebra de sigilos constitucionais e após a montagem de uma máquina de caixa 2 na Casa Civil, por que então aceitar a legalidade de seu mandato? Do lado governista, falta pouco para Lula e outros petistas incitarem os militantes a lincharem os jornalistas. Ainda que seja ridícula qualquer comparação entre Lula e presidentes suspeitos de mandar matar oponentes, como Vladimir Putin, prender donos de televisão, como Hugo Chávez, ou acusar os barões de imprensa de extorsão e sequestro de bebês, como o casal Kirchner fez.
O que conforta é perceber que o gosto de sangue e pólvora está presente apenas nas bocas dos contendores diretos. Nos bares, nas ruas, nas filas para atendimento, nas praças, sobrevive-se nas escaramuças do cotidiano, muito distantes de qualquer noticiário, muito alheias às pretensamente grandes questões. Em meio à sedação do conformismo e ao pragmatismo absoluto, vamos seguindo o calendário e nos preparando para a outra.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Rosalba, a exceção
César Felício
de Natal ( Valor Econômico de 3/09/2010)
Os 52,7 mil quilômetros quadrados do Rio Grande do Norte poderão se tornar a partir do próximo ano o último refúgio no país para o DEM. Entre os 2,2 milhões de eleitores potiguares, ao contrário do que ocorre com todos os outros Estados em que o partido disputa o governo, quem lidera as pesquisas é uma integrante da sigla. Aos 58 anos, a senadora Rosalba Ciarlini, pertencente a uma das oligarquias políticas mais longevas do Brasil, ganharia o governo estadual no primeiro turno, se as pesquisas feitas pelo Ibope, Ipespe e Vox Populi no fim de agosto estiverem corretas.
Sempre de cor de rosa nos atos públicos, a senadora mostra desenvoltura no palanque. Em dois minicomícios na noite de segunda-feira, no bairro das Rocas, em Natal e em Canguaretama, cidade de 30 mil habitantes a 70 km da capital, Rosalba demonstrou que sua linha de raciocínio com o microfone na mão está a uma distância sideral do discurso nacional de seu partido. "Olha, gente, o Brasil melhorou muito nos últimos anos, não é? E o nosso Estado? Como está a saúde, a educação, a segurança?", indagou, fazendo uma pausa e ouvindo algumas manifestações da plateia. "O nosso Estado não pode continuar sendo o Estado das perdas. Vocês já ouviram falar da revista "Veja"? Viram a matéria que ela publicou colocando Mossoró como uma das cidades que mais se transformaram no país?", nova pausa, após a referência a um levantamento do país que destacou, junto a dezenas de outros municípios, a cidade em que foi prefeita por dois mandatos e meio. A senadora conclui pedindo votos também para a reeleição ao senado de Garibaldi Alves (PMDB) e José Agripino Maia (DEM). Nenhuma palavra foi dita sobre o candidato do PSDB, José Serra.
Serra apareceu com 22% no levantamento do Ibope, ante os 61% obtidos pela petista Dilma Rousseff. A mesma pesquisa mostrou uma aprovação local ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 86%. No Ipespe, Serra aparece com sete pontos percentuais a mais e Dilma, com dez a menos. "Votei no Lula no primeiro e no segundo turno em 2002. O Serra é o melhor candidato e eu o apoiaria este ano em qualquer circunstância, como de fato apoio, mas não há como negar que o governo Lula teve muita coisa boa, sobretudo o programa Bolsa Família", comentou Rosalba ao entrar no utilitário que a levou de Natal a Canguaretama. A senadora justifica o descompasso entre a sua popularidade e a do presidenciável que conta com seu discretíssimo apoio. "O processo eleitoral se desvirtuou e não há para o eleitor uma escolha entre dois candidatos, mas um plebiscito sobre o Lula".
O Bolsa Família virou um dos eixos centrais da campanha no Rio Grande do Norte. Na quarta-feira, o governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB), que apareceu com 25% no Ipespe e no Ibope, enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei instituindo um subsídio adicional de 15% sobre o valor que os atuais beneficiários do programa federal recebem. Os recursos sairiam de um aumento de dois pontos percentuais na alíquota do ICMS sobre a energia elétrica. Rosalba contra-atacou em duas frentes. Seu candidato a vice, o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria (PMN) apresentou uma emenda elevando o subsídio para 25% e cortando o aumento tributário. No programa de rádio e TV, um locutor afirmou que a proposta de Iberê era eleitoreira.
Rosalba Ciarlini é casada com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, filho do antigo governador Dix-Sept Rosado, falecido no exercício do cargo em 1951. Sua irmã, Ruth Ciarlini, é a vice-prefeita de Fátima Rosado, prima de seu marido. Seu cunhado, Betinho Rosado, é deputado federal e candidato à reeleição. Dois tios de seu marido, Dix-Huit e Vingt Rosado, foram deputados federais. O avô de Rosalba, o engenheiro Pedro Ciarlini, foi um assessor do avô do marido da senadora, Jerônimo Rosado, cacique político de Mossoró e autor da exótica ideia de batizar parte de seus 21 filhos com numerais franceses. O engenheiro Ciarlini também foi particularmente prolífico: Rosalba conta com 36 tios paternos.
A descendência oligárquica é colocada por Rosalba como um trunfo, em um dos Estados com uma das elites políticas mais fechadas do país. Sua música de campanha, no ritmo regional da "embolada", faz um jogo de palavras com o sobrenome do marido, "rosa do povo é mudança, rosa do que é preciso, rosa do que não tem fim, rosa do seu sorriso, rosa do campo e da cidade, rosa do chão potiguar", diz a letra. Se eleita, Rosalba será a primeira governadora fora da região metropolitana de Natal desde a redemocratização, ainda que hoje more em um imponente edifício na beira-mar da capital.
"A chave para a dianteira de Rosalba é a regional. Mossoró teve uma melhora de infraestrutura considerável durante a gestão dela e isso fez com que ela fosse eleita em 2006", disse José Agripino. Cidade com 160 mil eleitores, mais próxima de Fortaleza do que de Natal, Mossoró conta com um padrão de consumo e uma infraestrutura acima do esperado para uma cidade do interior do Nordeste. É a segunda maior recebedora de royalties da exploração de petróleo e cidade polo de um núcleo de fruticultura irrigada. Desde que a Constituição de 1988 aumentou as transferências para os municípios, Rosalba ganhou diretamente três eleições municipais e elegeu-se senadora.
Rosalba ainda conta com forte apoio partidário. Uma das chaves para a sua liderança é o apoio do senador Garibaldi Alves Filho, que fez um acordo com o primo, o líder do PMDB na Câmara Henrique Eduardo Alves, em que a família se apoia mutuamente, mas se divide em relação aos demais candidatos da eleição majoritária. Rosalba ficou com a maior parte, ou 25 dos 40 prefeitos do PMDB, que se somam aos 16 do DEM. O Rio Grande do Norte conta com 167 municípios e Natal representa pouco menos de um quarto do eleitorado, com seus 520 mil votantes.
Principal liderança da chapa adversária, a ex-governadora Vilma de Faria (PSB) adiciona outro elemento para explicar a dianteira da candidata, além da estrutura partidária, da boa administração em Mossoró, da sua desenvoltura no palanque, da força do interior e da ausência de um discurso oposicionista em relação a Lula. "Eles controlam, diretamente ou indiretamente, as principais cadeias de televisão e rádio. Frequentaram os programas de entrevistas antes do início dos calendário eleitoral e contam com um exército de locutores e comentaristas para criticarem incessantemente o governo estadual. Foi assim que ganharam a prefeitura de Natal em 2008", afirmou.
Em 2008, a então governadora Vilma apoiou a deputada Fátima Bezerra (PT) para a prefeitura. A petista contou com o apoio do governo municipal e do governo federal em grande estilo, com direito a presença de Lula em seu palanque atacando seus adversários diretos. O resultado foi a vitória em primeiro turno de Micarla de Sousa, do PV, mas totalmente ligada a Agripino. Micarla é da família proprietária da rede Ponta Negra, que retransmite a programação do SBT e conta com uma série de programas locais.
Em 2006, Vilma reelegeu-se com dificuldade, batendo Garibaldi Alves no primeiro turno por 0,9 ponto percentual de diferença e no segundo turno por quatro pontos percentuais. Até mesmo aliados da governadora reconhecem que a imagem de Vilma se desgastou em um segundo mandato em que geriu várias crises. A falta de um investimento nacional de impacto, como ocorreu em Pernambuco e Maranhão, com refinarias, e no Ceará, com a siderurgia, alimentou o discurso de Rosalba de que o situacionismo federal de Vilma não carreou recursos para o Estado.
Rosalba prefere não comentar sobre qual rumo dará a sua carreira política caso torne-se a única governadora do DEM em um governo federal com hegemonia petista-pemedebista. "Nunca parei para pensar sobre isso. Só sei que como prefeita de Mossoró, jamais me senti discriminada por Lula", afirmou. "Oposição de verdade, aqui, é só o Agripino. A Rosalba nunca fez oposição para valer. Difícil para eles será segurá-la", aposta Henrique Eduardo Alves.
de Natal ( Valor Econômico de 3/09/2010)
Os 52,7 mil quilômetros quadrados do Rio Grande do Norte poderão se tornar a partir do próximo ano o último refúgio no país para o DEM. Entre os 2,2 milhões de eleitores potiguares, ao contrário do que ocorre com todos os outros Estados em que o partido disputa o governo, quem lidera as pesquisas é uma integrante da sigla. Aos 58 anos, a senadora Rosalba Ciarlini, pertencente a uma das oligarquias políticas mais longevas do Brasil, ganharia o governo estadual no primeiro turno, se as pesquisas feitas pelo Ibope, Ipespe e Vox Populi no fim de agosto estiverem corretas.
Sempre de cor de rosa nos atos públicos, a senadora mostra desenvoltura no palanque. Em dois minicomícios na noite de segunda-feira, no bairro das Rocas, em Natal e em Canguaretama, cidade de 30 mil habitantes a 70 km da capital, Rosalba demonstrou que sua linha de raciocínio com o microfone na mão está a uma distância sideral do discurso nacional de seu partido. "Olha, gente, o Brasil melhorou muito nos últimos anos, não é? E o nosso Estado? Como está a saúde, a educação, a segurança?", indagou, fazendo uma pausa e ouvindo algumas manifestações da plateia. "O nosso Estado não pode continuar sendo o Estado das perdas. Vocês já ouviram falar da revista "Veja"? Viram a matéria que ela publicou colocando Mossoró como uma das cidades que mais se transformaram no país?", nova pausa, após a referência a um levantamento do país que destacou, junto a dezenas de outros municípios, a cidade em que foi prefeita por dois mandatos e meio. A senadora conclui pedindo votos também para a reeleição ao senado de Garibaldi Alves (PMDB) e José Agripino Maia (DEM). Nenhuma palavra foi dita sobre o candidato do PSDB, José Serra.
Serra apareceu com 22% no levantamento do Ibope, ante os 61% obtidos pela petista Dilma Rousseff. A mesma pesquisa mostrou uma aprovação local ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 86%. No Ipespe, Serra aparece com sete pontos percentuais a mais e Dilma, com dez a menos. "Votei no Lula no primeiro e no segundo turno em 2002. O Serra é o melhor candidato e eu o apoiaria este ano em qualquer circunstância, como de fato apoio, mas não há como negar que o governo Lula teve muita coisa boa, sobretudo o programa Bolsa Família", comentou Rosalba ao entrar no utilitário que a levou de Natal a Canguaretama. A senadora justifica o descompasso entre a sua popularidade e a do presidenciável que conta com seu discretíssimo apoio. "O processo eleitoral se desvirtuou e não há para o eleitor uma escolha entre dois candidatos, mas um plebiscito sobre o Lula".
O Bolsa Família virou um dos eixos centrais da campanha no Rio Grande do Norte. Na quarta-feira, o governador e candidato à reeleição Iberê Ferreira (PSB), que apareceu com 25% no Ipespe e no Ibope, enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei instituindo um subsídio adicional de 15% sobre o valor que os atuais beneficiários do programa federal recebem. Os recursos sairiam de um aumento de dois pontos percentuais na alíquota do ICMS sobre a energia elétrica. Rosalba contra-atacou em duas frentes. Seu candidato a vice, o presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria (PMN) apresentou uma emenda elevando o subsídio para 25% e cortando o aumento tributário. No programa de rádio e TV, um locutor afirmou que a proposta de Iberê era eleitoreira.
Rosalba Ciarlini é casada com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, filho do antigo governador Dix-Sept Rosado, falecido no exercício do cargo em 1951. Sua irmã, Ruth Ciarlini, é a vice-prefeita de Fátima Rosado, prima de seu marido. Seu cunhado, Betinho Rosado, é deputado federal e candidato à reeleição. Dois tios de seu marido, Dix-Huit e Vingt Rosado, foram deputados federais. O avô de Rosalba, o engenheiro Pedro Ciarlini, foi um assessor do avô do marido da senadora, Jerônimo Rosado, cacique político de Mossoró e autor da exótica ideia de batizar parte de seus 21 filhos com numerais franceses. O engenheiro Ciarlini também foi particularmente prolífico: Rosalba conta com 36 tios paternos.
A descendência oligárquica é colocada por Rosalba como um trunfo, em um dos Estados com uma das elites políticas mais fechadas do país. Sua música de campanha, no ritmo regional da "embolada", faz um jogo de palavras com o sobrenome do marido, "rosa do povo é mudança, rosa do que é preciso, rosa do que não tem fim, rosa do seu sorriso, rosa do campo e da cidade, rosa do chão potiguar", diz a letra. Se eleita, Rosalba será a primeira governadora fora da região metropolitana de Natal desde a redemocratização, ainda que hoje more em um imponente edifício na beira-mar da capital.
"A chave para a dianteira de Rosalba é a regional. Mossoró teve uma melhora de infraestrutura considerável durante a gestão dela e isso fez com que ela fosse eleita em 2006", disse José Agripino. Cidade com 160 mil eleitores, mais próxima de Fortaleza do que de Natal, Mossoró conta com um padrão de consumo e uma infraestrutura acima do esperado para uma cidade do interior do Nordeste. É a segunda maior recebedora de royalties da exploração de petróleo e cidade polo de um núcleo de fruticultura irrigada. Desde que a Constituição de 1988 aumentou as transferências para os municípios, Rosalba ganhou diretamente três eleições municipais e elegeu-se senadora.
Rosalba ainda conta com forte apoio partidário. Uma das chaves para a sua liderança é o apoio do senador Garibaldi Alves Filho, que fez um acordo com o primo, o líder do PMDB na Câmara Henrique Eduardo Alves, em que a família se apoia mutuamente, mas se divide em relação aos demais candidatos da eleição majoritária. Rosalba ficou com a maior parte, ou 25 dos 40 prefeitos do PMDB, que se somam aos 16 do DEM. O Rio Grande do Norte conta com 167 municípios e Natal representa pouco menos de um quarto do eleitorado, com seus 520 mil votantes.
Principal liderança da chapa adversária, a ex-governadora Vilma de Faria (PSB) adiciona outro elemento para explicar a dianteira da candidata, além da estrutura partidária, da boa administração em Mossoró, da sua desenvoltura no palanque, da força do interior e da ausência de um discurso oposicionista em relação a Lula. "Eles controlam, diretamente ou indiretamente, as principais cadeias de televisão e rádio. Frequentaram os programas de entrevistas antes do início dos calendário eleitoral e contam com um exército de locutores e comentaristas para criticarem incessantemente o governo estadual. Foi assim que ganharam a prefeitura de Natal em 2008", afirmou.
Em 2008, a então governadora Vilma apoiou a deputada Fátima Bezerra (PT) para a prefeitura. A petista contou com o apoio do governo municipal e do governo federal em grande estilo, com direito a presença de Lula em seu palanque atacando seus adversários diretos. O resultado foi a vitória em primeiro turno de Micarla de Sousa, do PV, mas totalmente ligada a Agripino. Micarla é da família proprietária da rede Ponta Negra, que retransmite a programação do SBT e conta com uma série de programas locais.
Em 2006, Vilma reelegeu-se com dificuldade, batendo Garibaldi Alves no primeiro turno por 0,9 ponto percentual de diferença e no segundo turno por quatro pontos percentuais. Até mesmo aliados da governadora reconhecem que a imagem de Vilma se desgastou em um segundo mandato em que geriu várias crises. A falta de um investimento nacional de impacto, como ocorreu em Pernambuco e Maranhão, com refinarias, e no Ceará, com a siderurgia, alimentou o discurso de Rosalba de que o situacionismo federal de Vilma não carreou recursos para o Estado.
Rosalba prefere não comentar sobre qual rumo dará a sua carreira política caso torne-se a única governadora do DEM em um governo federal com hegemonia petista-pemedebista. "Nunca parei para pensar sobre isso. Só sei que como prefeita de Mossoró, jamais me senti discriminada por Lula", afirmou. "Oposição de verdade, aqui, é só o Agripino. A Rosalba nunca fez oposição para valer. Difícil para eles será segurá-la", aposta Henrique Eduardo Alves.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Capitanias hereditárias
Por César Felício, de Belo Horizonte
Valor Econômico- 20/08/2010-
Em 1982, momento em que o Brasil se a abria para a fase democrática atual, Álvaro Dias, um jovem deputado federal paranaense, ex-radialista em Londrina (PR), batia nas urnas para o Senado no Paraná uma lenda no Estado: o duas vezes ex-governador e duas vezes ex-ministro Ney Braga (1917-2000). As eleições daquele ano, as primeiras com voto direto para governador e pluripartidárias, foram um marco da virada de página não só no Paraná mas em todo o país. No último dia 8 de março, o hoje senador Álvaro Dias (PSDB-PR) levou ao altar a filha Carolina para se casar com Pedro Braga Maia, neto de Ney Braga.
A ocasião social foi um símbolo de um traço marcante na tradição política brasileira: o entrelaçamento familiar entre descendentes de autoridades no meio eleitoral, empresarial e eclesiástico que sedimentam uma elite.
"Em alguns momentos de mudança, como foram os anos 1980, abre-se uma porta para a mobilidade que permite a entrada de novos atores. Mas logo essa porta se estreita e o patrimônio político passa a ser transmitido por herança, assim como o patrimônio financeiro e empresarial", comentou o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor de sociologia da Universidade Federal do Paraná.
"Para se concorrer a uma eleição majoritária, há uma série de etapas, mas só entra no jogo quem já estava dentro antes de ele começar", diz o cientista político Ricardo Costa de Oliveira. O tema é seu objeto de pesquisa permanente e a genealogia, um hobby pessoal. O autor de "O Silêncio dos Vencedores: Genealogia, Classe Dominante e Estado no Paraná" afirma ter descoberto relações de parentesco com o duque de Caxias ( 1803-1880).
O Paraná é o exemplo mais drástico da cristalização de uma elite política nas eleições atuais. Todos os candidatos a cargos majoritários, sem exceção, possuem relação de parentesco ilustre. E entre os deputados estaduais eleitos para primeiro mandato em 2006, 100% tinham o laço familiar como a principal explicação para a vitória.
Há gradações na influência familiar nesse cenário. Os candidatos paranaenses ao governo e ao Senado devem suas atuais candidaturas aos cargos e funções que exerceram imediatamente antes do momento eleitoral. O candidato do PMDB ao Senado, Roberto Requião, por exemplo, já foi governador duas vezes e o candidato do PSDB ao governo, Beto Richa, acabou de deixar a Prefeitura de Curitiba. "A questão é a porta de entrada. Para se concorrer a uma eleição majoritária, há uma série de etapas a serem cumpridas, mas só entra no jogo quem já estava dentro antes de ele começar", disse Oliveira.
O fator familiar está disseminado em todos os Estados. Na eleição de 2006, 95 dos deputados federais eleitos contavam com algum laço familiar com figura pública em primeiro grau. Entre os atuais parlamentares, há remanescentes de famílias que foram influentes no Império, como Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), da sétima geração dos descendentes de José Bonifácio, o Patriarca da Independência, e Aline Corrêa (PP-SP), filha do ex-deputado Pedro Corrêa , cassado durante o escândalo do mensalão, e descendente do conselheiro João Alfredo, o penúltimo primeiro-ministro do Segundo Reinado.
Proporcionalmente, o peso familiar sobressai entre os senadores e os governadores. Contavam com vinculo familiar importante 28 dos 81 senadores da legislatura que se iniciou em 2007 e 10 dos 27 governadores eleitos em 2006. Nem sempre o passado político do ascendente , contudo, é o fator mais importante.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), por exemplo, dificilmente teria tido a trajetória que o levou duas vezes a ser governador do Ceará se não fosse filho do antigo senador Carlos Jereissati. Mas isso não se deu pelo fato de o pai também ter sido parlamentar: Carlos Jereissati, que morreu poucos meses depois de assumir o mandato, em 1963, foi um poderoso dirigente do setor têxtil, o que garantiu a projeção do filho no meio empresarial e o levou a ter atuação política nos anos 1980.
A relação não é tão direta quando se trata da eleição presidencial. Dos principais candidatos à Presidência, apenas em relação à petista Dilma Rousseff seria possível relacionar o início de sua trajetória pública ao fato de ter sido casada com um antigo deputado federal pelo PDT, Carlos Araújo, entre as décadas de 1970 e 1980. Mas ela já era militante política antes disso. O tucano José Serra e a senadora Marina Silva (PV-AC) não contam com parentes importantes.
Da mesma forma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José Alencar Gomes da Silva não contavam com relações políticas. Ainda que no caso de Lula tenha sido crucial para a sua entrada na vida sindical o fato de ser irmão de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, que era integrante do PCB nos anos 1970.
Entre os últimos presidentes, esse fator não distingue entre os que se elegeram democraticamente e os que governaram no regime militar. Contavam com parentes políticos Fernando Henrique Cardoso ( filho de um ex-deputado federal), Fernando Collor de Mello (filho de um ex-governador) e João Figueiredo (herdeiro de uma dinastia de militares e filho de ex-deputado). Também é o caso de Arthur da Costa e Silva ( sobrinho de um ex-ministro da Justiça) e Humberto Castello Branco (da família do escritor e político José de Alencar). Patriarca de uma oligarquia, José Sarney é filho de um desembargador. De origem humilde foram apenas Itamar Franco , Ernesto Geisel e Emilio Médici.
O peso da tradição familiar diminui em estados como São Paulo, ainda que o candidato tucano a governador Geraldo Alckmin seja sobrinho de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral e o petista Aloizio Mercadante, filho de um ex- comandante da Escola Superior de Guerra, ou no Rio de Janeiro, em que pese o ex-governador Anthony Garotinho ter sido sucedido por sua mulher, Rosinha, e o ex-prefeito César Maia ter um filho deputado.
" Em estados com maior intensidade de competição política, outros fatores ganham relevância depois de 1930, como a força das máquinas partidárias, a tecnocracia da administração pública e o impulso dos movimentos sociais", comentou o cientista político Claudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo no curso de gestão pública.
Couto ressalta que a tradição familiar é um elemento estrutural para a divisão de papéis na sociedade. "Isso não distingue a classe política das demais e nem o Brasil de outros países. Existe esse tipo de transmissão até na música e há casos célebres em outros países, como os das famílias Kennedy, Bush e Clinton nos Estados Unidos."
Há uma linha tênue que separa a influência familiar de ser um fator secundário ou primordial em uma carreira política. Deputado federal em Minas Gerais e candidato a suplente de senador, o petista Virgílio Guimarães não atribui seu ingresso na política ao fato de ser filho de Evaristo de Paula, ex-prefeito de Curvelo, no norte de Minas. Seu avô materno foi senador estadual, cargo que existia na República Velha, e seu tio, João Herculino, deputado federal e empresário.
"No meu caso , foi coincidência. Comecei na política militando no PT , de maneira oposta a tudo que meu pai fez. Ele era da UDN. Tenho imenso orgulho dele, mas esse fator não colaborava para ascensão política dentro da esquerda. Já em relação ao meu filho Gabriel, não é coincidência. Ele nasceu dentro do PT. Conheci a mãe dele no partido", afirmou Virgílio, referindo-se ao filho, o advogado Gabriel Guimarães, que é candidato a deputado federal. Virgílio disse que não está fazendo campanha pelo filho e que a candidatura foi uma iniciativa de Gabriel. "Ele é meu filho, não o meu clone."
A preocupação de Virgílio em deixar claro que não atua para o filho não é receio com possíveis danos em sua imagem ou na de Gabriel, mas tem raiz política: o eventual favorecimento de Gabriel teria péssima repercussão entre os demais candidatos a deputado federal pelo PT, que poderiam se afastar de pai e filho. "Ele está em uma chapa majoritária e qualquer movimento dele poderia indicar um favorecimento que não é correto", afirmou Gabriel.
Advogado, com 27 anos, Gabriel tenta resgatar o patrimônio eleitoral de Virgílio , que caiu de 207 mil votos em 2002 para 101 mil em 2006. "Na eleição de 2002 houve uma onda vermelha em Minas e todos os candidatos do PT foram beneficiados. Em 2006 essa onda refluiu", explicou Virgílio. Gabriel prefere não arriscar projeção de votos este ano.
Virgilio Guimarães não é o único caso de transmissão de mando de uma velha geração petista para outra mais nova. Talvez não por coincidência, no próprio Paraná há outro exemplo: José Carlos Becker, ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste, na região norte do Estado, também disputa um mandato na Câmara. Ele é filho do ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu, que teve o mandato cassado em 2005, como decorrência do escândalo do mensalão.
Valor Econômico- 20/08/2010-
Em 1982, momento em que o Brasil se a abria para a fase democrática atual, Álvaro Dias, um jovem deputado federal paranaense, ex-radialista em Londrina (PR), batia nas urnas para o Senado no Paraná uma lenda no Estado: o duas vezes ex-governador e duas vezes ex-ministro Ney Braga (1917-2000). As eleições daquele ano, as primeiras com voto direto para governador e pluripartidárias, foram um marco da virada de página não só no Paraná mas em todo o país. No último dia 8 de março, o hoje senador Álvaro Dias (PSDB-PR) levou ao altar a filha Carolina para se casar com Pedro Braga Maia, neto de Ney Braga.
A ocasião social foi um símbolo de um traço marcante na tradição política brasileira: o entrelaçamento familiar entre descendentes de autoridades no meio eleitoral, empresarial e eclesiástico que sedimentam uma elite.
"Em alguns momentos de mudança, como foram os anos 1980, abre-se uma porta para a mobilidade que permite a entrada de novos atores. Mas logo essa porta se estreita e o patrimônio político passa a ser transmitido por herança, assim como o patrimônio financeiro e empresarial", comentou o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, professor de sociologia da Universidade Federal do Paraná.
"Para se concorrer a uma eleição majoritária, há uma série de etapas, mas só entra no jogo quem já estava dentro antes de ele começar", diz o cientista político Ricardo Costa de Oliveira. O tema é seu objeto de pesquisa permanente e a genealogia, um hobby pessoal. O autor de "O Silêncio dos Vencedores: Genealogia, Classe Dominante e Estado no Paraná" afirma ter descoberto relações de parentesco com o duque de Caxias ( 1803-1880).
O Paraná é o exemplo mais drástico da cristalização de uma elite política nas eleições atuais. Todos os candidatos a cargos majoritários, sem exceção, possuem relação de parentesco ilustre. E entre os deputados estaduais eleitos para primeiro mandato em 2006, 100% tinham o laço familiar como a principal explicação para a vitória.
Há gradações na influência familiar nesse cenário. Os candidatos paranaenses ao governo e ao Senado devem suas atuais candidaturas aos cargos e funções que exerceram imediatamente antes do momento eleitoral. O candidato do PMDB ao Senado, Roberto Requião, por exemplo, já foi governador duas vezes e o candidato do PSDB ao governo, Beto Richa, acabou de deixar a Prefeitura de Curitiba. "A questão é a porta de entrada. Para se concorrer a uma eleição majoritária, há uma série de etapas a serem cumpridas, mas só entra no jogo quem já estava dentro antes de ele começar", disse Oliveira.
O fator familiar está disseminado em todos os Estados. Na eleição de 2006, 95 dos deputados federais eleitos contavam com algum laço familiar com figura pública em primeiro grau. Entre os atuais parlamentares, há remanescentes de famílias que foram influentes no Império, como Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), da sétima geração dos descendentes de José Bonifácio, o Patriarca da Independência, e Aline Corrêa (PP-SP), filha do ex-deputado Pedro Corrêa , cassado durante o escândalo do mensalão, e descendente do conselheiro João Alfredo, o penúltimo primeiro-ministro do Segundo Reinado.
Proporcionalmente, o peso familiar sobressai entre os senadores e os governadores. Contavam com vinculo familiar importante 28 dos 81 senadores da legislatura que se iniciou em 2007 e 10 dos 27 governadores eleitos em 2006. Nem sempre o passado político do ascendente , contudo, é o fator mais importante.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), por exemplo, dificilmente teria tido a trajetória que o levou duas vezes a ser governador do Ceará se não fosse filho do antigo senador Carlos Jereissati. Mas isso não se deu pelo fato de o pai também ter sido parlamentar: Carlos Jereissati, que morreu poucos meses depois de assumir o mandato, em 1963, foi um poderoso dirigente do setor têxtil, o que garantiu a projeção do filho no meio empresarial e o levou a ter atuação política nos anos 1980.
A relação não é tão direta quando se trata da eleição presidencial. Dos principais candidatos à Presidência, apenas em relação à petista Dilma Rousseff seria possível relacionar o início de sua trajetória pública ao fato de ter sido casada com um antigo deputado federal pelo PDT, Carlos Araújo, entre as décadas de 1970 e 1980. Mas ela já era militante política antes disso. O tucano José Serra e a senadora Marina Silva (PV-AC) não contam com parentes importantes.
Da mesma forma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente José Alencar Gomes da Silva não contavam com relações políticas. Ainda que no caso de Lula tenha sido crucial para a sua entrada na vida sindical o fato de ser irmão de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, que era integrante do PCB nos anos 1970.
Entre os últimos presidentes, esse fator não distingue entre os que se elegeram democraticamente e os que governaram no regime militar. Contavam com parentes políticos Fernando Henrique Cardoso ( filho de um ex-deputado federal), Fernando Collor de Mello (filho de um ex-governador) e João Figueiredo (herdeiro de uma dinastia de militares e filho de ex-deputado). Também é o caso de Arthur da Costa e Silva ( sobrinho de um ex-ministro da Justiça) e Humberto Castello Branco (da família do escritor e político José de Alencar). Patriarca de uma oligarquia, José Sarney é filho de um desembargador. De origem humilde foram apenas Itamar Franco , Ernesto Geisel e Emilio Médici.
O peso da tradição familiar diminui em estados como São Paulo, ainda que o candidato tucano a governador Geraldo Alckmin seja sobrinho de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral e o petista Aloizio Mercadante, filho de um ex- comandante da Escola Superior de Guerra, ou no Rio de Janeiro, em que pese o ex-governador Anthony Garotinho ter sido sucedido por sua mulher, Rosinha, e o ex-prefeito César Maia ter um filho deputado.
" Em estados com maior intensidade de competição política, outros fatores ganham relevância depois de 1930, como a força das máquinas partidárias, a tecnocracia da administração pública e o impulso dos movimentos sociais", comentou o cientista político Claudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo no curso de gestão pública.
Couto ressalta que a tradição familiar é um elemento estrutural para a divisão de papéis na sociedade. "Isso não distingue a classe política das demais e nem o Brasil de outros países. Existe esse tipo de transmissão até na música e há casos célebres em outros países, como os das famílias Kennedy, Bush e Clinton nos Estados Unidos."
Há uma linha tênue que separa a influência familiar de ser um fator secundário ou primordial em uma carreira política. Deputado federal em Minas Gerais e candidato a suplente de senador, o petista Virgílio Guimarães não atribui seu ingresso na política ao fato de ser filho de Evaristo de Paula, ex-prefeito de Curvelo, no norte de Minas. Seu avô materno foi senador estadual, cargo que existia na República Velha, e seu tio, João Herculino, deputado federal e empresário.
"No meu caso , foi coincidência. Comecei na política militando no PT , de maneira oposta a tudo que meu pai fez. Ele era da UDN. Tenho imenso orgulho dele, mas esse fator não colaborava para ascensão política dentro da esquerda. Já em relação ao meu filho Gabriel, não é coincidência. Ele nasceu dentro do PT. Conheci a mãe dele no partido", afirmou Virgílio, referindo-se ao filho, o advogado Gabriel Guimarães, que é candidato a deputado federal. Virgílio disse que não está fazendo campanha pelo filho e que a candidatura foi uma iniciativa de Gabriel. "Ele é meu filho, não o meu clone."
A preocupação de Virgílio em deixar claro que não atua para o filho não é receio com possíveis danos em sua imagem ou na de Gabriel, mas tem raiz política: o eventual favorecimento de Gabriel teria péssima repercussão entre os demais candidatos a deputado federal pelo PT, que poderiam se afastar de pai e filho. "Ele está em uma chapa majoritária e qualquer movimento dele poderia indicar um favorecimento que não é correto", afirmou Gabriel.
Advogado, com 27 anos, Gabriel tenta resgatar o patrimônio eleitoral de Virgílio , que caiu de 207 mil votos em 2002 para 101 mil em 2006. "Na eleição de 2002 houve uma onda vermelha em Minas e todos os candidatos do PT foram beneficiados. Em 2006 essa onda refluiu", explicou Virgílio. Gabriel prefere não arriscar projeção de votos este ano.
Virgilio Guimarães não é o único caso de transmissão de mando de uma velha geração petista para outra mais nova. Talvez não por coincidência, no próprio Paraná há outro exemplo: José Carlos Becker, ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste, na região norte do Estado, também disputa um mandato na Câmara. Ele é filho do ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu, que teve o mandato cassado em 2005, como decorrência do escândalo do mensalão.
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