A provável eleição de Dilma Rousseff para presidente é o que de mais parecido pode haver com a eleição presidencial de 1994. Naquela ocasião Lula estava disparado em primeiro lugar, acima de 40% nas pesquisas, sem adversário visível. Uma grande transformação econômica no País fez com que o presidente Itamar Franco patrocinasse a candidatura de seu principal ministro, com um amplo apoio partidário. Em poucas semanas a eleição virou e Fernando Henrique Cardoso terminou eleito no primeiro turno de uma eleição morna. É o mesmo roteiro de agora.
Quando penso em Serra, vem ao meu pensamento a cena em que Espártaco assiste, do alto de uma colina, a impressionante junção de duas legiões romanas que marcham para esmagar o seu exército. Quando no horizonte à frente de Espártaco não há mais espaço livre sem legionários, um lugar-tenente do general dos escravos sussurra ao seu ouvido: Espártaco, atrás de nós...era outra legião que se avizinhava.
A batalha se deu, Espártaco obviamente foi derrotado e todos seus soldados são crucificados ao gritarem "Eu sou Espártaco", como mostra o célebre filme de Stanley Kubrick. Só acho que agora ninguém gritará "Eu sou Serra".
domingo, 29 de agosto de 2010
O picadeiro paulista
Assisti por acaso a transmissão do horário eleitoral gratuito de São Paulo, na TV Cultura. A princípio eu achei que era alguma antologia do esdrúxulo, mas depois eu percebi que era aquilo mesmo: a lista de candidatos a deputado federal de São Paulo é muito, muito pior que a de Minas Gerais.
Temos uma seleção com Juca Chaves, Maguila, Mulher Pera, Moacir Franco, Ronaldo Esper, Tiririca, sem contar os palhaços anônimos e os bandidos conhecidos. Temos até o PT fazendo o convite temerário para que os eleitores façam voto de legenda, sem saber quais são os candidatos do partido. Como se o PT fosse sinônimo de seriedade, selo de garantia, ou modelo de boas práticas políticas, o que jamais foi e já há alguns anos sequer aparenta ser.
A péssima representação política de São Paulo derruba um mito, o de que o eleitor paulista é mais esclarecido que a média brasileira. Fosse assim e os partidos sequer se atreveriam a lançar subcelebridades para deputado. Consolida a divisão da Câmara entre uma elite que decide e um baixo clero a traficar e vender votos, procurando se arrumar em seu mandato único. Aprofunda o divórcio do eleitor em relação ao Legislativo, cada vez menos sentido como uma câmara de representantes. E agiganta o papel do Executivo. Idiotas públicos não se candidatam a governador ou presidente, porque os partidos não são loucos de lançá-los.
Solução para o problema? não há. Se o Brasil é uma democracia, qualquer um pode se candidatar, desde que cumpra as exigências eleitorais. Um Tiririca deputado não causará mais danos que a obscura carreira política do Clodovil. É mais um preço que se paga por se viver em uma democracia de massas. E é até um preço baixo.
Temos uma seleção com Juca Chaves, Maguila, Mulher Pera, Moacir Franco, Ronaldo Esper, Tiririca, sem contar os palhaços anônimos e os bandidos conhecidos. Temos até o PT fazendo o convite temerário para que os eleitores façam voto de legenda, sem saber quais são os candidatos do partido. Como se o PT fosse sinônimo de seriedade, selo de garantia, ou modelo de boas práticas políticas, o que jamais foi e já há alguns anos sequer aparenta ser.
A péssima representação política de São Paulo derruba um mito, o de que o eleitor paulista é mais esclarecido que a média brasileira. Fosse assim e os partidos sequer se atreveriam a lançar subcelebridades para deputado. Consolida a divisão da Câmara entre uma elite que decide e um baixo clero a traficar e vender votos, procurando se arrumar em seu mandato único. Aprofunda o divórcio do eleitor em relação ao Legislativo, cada vez menos sentido como uma câmara de representantes. E agiganta o papel do Executivo. Idiotas públicos não se candidatam a governador ou presidente, porque os partidos não são loucos de lançá-los.
Solução para o problema? não há. Se o Brasil é uma democracia, qualquer um pode se candidatar, desde que cumpra as exigências eleitorais. Um Tiririca deputado não causará mais danos que a obscura carreira política do Clodovil. É mais um preço que se paga por se viver em uma democracia de massas. E é até um preço baixo.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Ele não é fofo
São raros, mas por um motivo ou outro alguns políticos ganham aura de santidade. No Senado, houve Suplicy e Pedro Simon. Em um passado um pouco distante, Teotonio Vilella. No último ano e meio, muito em função da doença que enfrenta, o vice-presidente José Alencar.
Talvez tenha sido a reverência que Alencar desperta que faz a mídia poupar-se de comentários ante a sua linha de defesa no processo de paternidade a que responde. O vice-presidente disse, em entrevista a TV, que não pretende fazer teste de DNA. Afirmou que a antiga parceira de cama era uma mulher da zona. E que, como moça pobre, não poderia estar presente nos bailes que ele frequentava em Caratinga nos anos 50.
Espíritos mais delicados, ou moralistas, poderiam dizer que fugir às responsabilidades do sexo alegando que a parceira se prostituiu seria um ato digno de um cafajeste. Não vi a entrevista do vice-presidente no programa do Jô, mas pelos relatos que li ele não parece ter sido especialmente questionado sobre este ponto.
Esta história toda poderá ter um lado positivo se fizer o vice-presidente ser tratado pelo que é: um homem comum, ainda que poderoso. Alencar se diz processado por ser muito rico e pessoa pública, o que é verdade. É razoável pensar que a senhora que o aciona não o faria se Alencar fosse um lavrador aposentado. Como também não há sentido, ou pelo menos não deveria haver, em achar que dinheiro, celebridade e poder garantam indulgências plenárias.
Talvez tenha sido a reverência que Alencar desperta que faz a mídia poupar-se de comentários ante a sua linha de defesa no processo de paternidade a que responde. O vice-presidente disse, em entrevista a TV, que não pretende fazer teste de DNA. Afirmou que a antiga parceira de cama era uma mulher da zona. E que, como moça pobre, não poderia estar presente nos bailes que ele frequentava em Caratinga nos anos 50.
Espíritos mais delicados, ou moralistas, poderiam dizer que fugir às responsabilidades do sexo alegando que a parceira se prostituiu seria um ato digno de um cafajeste. Não vi a entrevista do vice-presidente no programa do Jô, mas pelos relatos que li ele não parece ter sido especialmente questionado sobre este ponto.
Esta história toda poderá ter um lado positivo se fizer o vice-presidente ser tratado pelo que é: um homem comum, ainda que poderoso. Alencar se diz processado por ser muito rico e pessoa pública, o que é verdade. É razoável pensar que a senhora que o aciona não o faria se Alencar fosse um lavrador aposentado. Como também não há sentido, ou pelo menos não deveria haver, em achar que dinheiro, celebridade e poder garantam indulgências plenárias.
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